Tutela considera descida do desemprego na Madeira “relevante”
A vice-presidente do Instituto de Emprego da Madeira afirmou que o facto de a região ter sido a única diminuir a taxa de desemprego é “relevante”.
“Tenho alguma dificuldade em analisar estes dados, até porque o apuramento é feito com base em inquéritos telefónicos, mas considero que, atendendo a que há um apuramento igual para todo o país com base no mesmo método, é relevante”, disse Rosário Alegre.
Para a responsável, “qualquer explicação neste momento fica apenas no campo das suposições”, apontando que como os resultados “dizem respeito ao quarto trimestre de 2011 poderão estejam relacionados com a sazonalidade do turismo da Madeira”, sendo que o final do ano é um dos principais cartazes desta região.
Já os sindicatos da Madeira reagem com admiração aos números do Instituto Nacional Estatística (INE).
“Estes números não podem estar corretos, quem assiste diariamente ao encerramento de empresas, às centenas de trabalhadores que procuram os sindicatos, não pode acreditar nesses números”, afirmou à agência Lusa o coordenador da União dos Sindicatos da Madeira (USAM), afeto à CGTP.
Questionando que “critérios estão a ser usados” para aferir estes números, Álvaro Silva insistiu: “Da parte da USAM não acreditamos nestes números, porque não correspondem à realidade”.
Os dados do INE mostram que o desemprego subiu em todas as regiões (NUTS II) do país no último trimestre do ano passado, com exceção da Madeira, onde a taxa caiu de 14,3 por cento para 13,5 por cento.
Ricardo Freitas, da UGT-Madeira, também admitiu ter ficado surpreendido com a estatística, mas recusa-se a colocar em causa os dados do INE que considera só serem “relevantes se nos próximos meses se verificar uma tendência que atualmente não se regista, de diminuição do desemprego”.
Para Ricardo Freitas, “estes indicadores do INE conflituam com os indicadores do desemprego registado nos centros de emprego, onde a tendência é crescente”.
O responsável referiu que se assiste, “cada vez mais, a pessoas inscreverem-se nos centros de emprego”, defendendo a necessidade de aferir, também, nos dados hoje divulgados pelo INE “a taxa de população ativa ou se houve alguma limpeza de população ativa que já nem se quer procura trabalho”.
“Se houve um aumento significativo dessas pessoas que, na realidade, estão desempregadas, mas que já desistiram de procurar um trabalho, isso poderá fazer com que, no fundo, o indicador do INE tenha sido aquele que é apresentado”, sustentou.
Para Ricardo Freitas, “face às medidas do plano de ajustamento financeiro”, a UGT-Madeira prevê que os números do desemprego não são de diminuição, mas de “aumento significativo”.
“Os dados hoje apresentados não me parecem corresponder a uma contração da economia da região e do país e que se acentuará nos próximos trimestres dadas as medidas de austeridade”, salientou ainda.