2017 – Um ano de desafios

Há um ano atrás interrogava-me se seria o ano de 2016 um ano de esperança. Perdurará na memória coletiva dos Portugueses como um ano de conquistas improváveis em que a esperança afinal não morreu na praia. O maior feito de todos a nível do desporto terá sido (finalmente!) a conquista do título de Campeão Europeu de Futebol. O prestígio de ver eleito um português para um cargo internacional de elevada honra veio abrilhantar-nos o final dum ano excecional. António Guterres tem os olhos do mundo postos em si e a enorme responsabilidade dum cargo exigente em tempos muito difíceis! Também a nível do Turismo batemos todos os recordes e conquistámos inúmeros prémios de prestígio internacional em várias frentes revalidando títulos dos World Travel Awards até as estrelas Michelin. Enchemos a alma de orgulho mas agora há que olhar em frente.

Por outro lado, assistimos a uma série de acontecimentos que marcaram o ano pela negativa: terramotos devastadores, os atentados terroristas na Europa, a eterna crise dos refugiados, a guerra na Síria, a destituição da presidente do Brasil, a “geringonça” das eleições norte-americanas, o desaparecimento de muitas figuras icónicas mundiais e nacionais (Prince, David Bowie, George Michael, Leonard Cohen, Camilo de Oliveira, Humberto Eco, Shimon Peres, Nicolau Breyner, João Lobo Antunes…), os incêndios recorrentes no nosso país e inéditos pela violência e dimensão, no caso da Madeira.

Se 2016 foi um ano de esperança, 2017 será um ano de desafios? Acredito que sim e existem-nos vários em várias frentes. Sobre as fundações de um “mundo velho” que se desintegra, temos o desafio de reconstruir um “mundo novo” que nos abrirá novos horizontes, novas oportunidades e a renovada esperança nas nossas capacidades.

Se subir a montanha é difícil, mantermo-nos no topo é duplamente desafiante. Manter e melhorar os níveis de rentabilidade e reconhecimento alcançados a nível da atividade turística será certamente um desses desafios. Acredito que estamos prontos e daremos o nosso melhor. Não incorrer nos erros do passado é outro desafio que se nos afigura. Consolidar a oferta ajustando-a às oscilações da procura será uma exercício difícil mas sensato. Não basta aumentar o número de camas para atender às solicitações da procura em quantidade mas sim ter em conta que a captação deverá fazer-se a preços que compensem e tornem o sector mais sólido, mais autónomo em termos de investimento e mais equitativo em termos laborais e fiscais.

O desafio ambiental é outro de que não nos podemos esquecer sob pena de matarmos a “galinha dos ovos d’oiro”. Os incêndios que assolaram o sul da ilha este ano, algo nunca antes testemunhado, levam-nos a refletir sobre os erros recorrentes em relação à urbanização das encostas, gestão dos recursos florestais, fiscalização e responsabilidade sobre limpeza de terrenos agrícolas e imóveis devolutos ou pura e simplesmente votados ao abandono por imperativos de heranças, querelas e outras situações mal resolvidas ou suspensas “ad aeternum” no limbo dos tribunais.

Não basta identificarmos as causas, urge trabalhar no sentido de as anularmos e entrarmos neste novo ano com a energia e a determinação necessárias para vencermos todos os desafios que nos forem colocados. Que possamos chegar a Dezembro de 2017 com a certeza de que demos sempre o nosso melhor, que lutamos e ganhamos e que chegámos mais longe que antes.

Um Bom Novo Ano 2017! 

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